A Ética nas organizações

“Antigamente, quando as fortunas eram feitas na guerra, a guerra era um negócio; agora que as fortunas são feitas nos negócios, os negócios são uma guerra” – Christian Nestell Bovee – escritor americano (1820-1904)

Em determinada ocasião, em uma viagem para os EUA, o avião em que eu estava atravessou uma zona de turbulência severa, causando muito desconforto e preocupação aos passageiros, principalmente a uma simpática senhora, minha vizinha de poltrona, que passou a chorar desesperadamente, aterrorizada com aquela situação e dizendo-me, entre outras coisas muito tranquilizadoras, que nunca mais ia ver seus netos. Neste momento, para acalmá-la e fazendo cara de entendido, me ocorreu explicar-lhe que os aviões são fabricados para voarem em situações totalmente extremas, absolutamente muito piores do que aquelas que estávamos atravessando naquele momento e que não existia perigo algum. Estranhamente ela se acalmou e a única coisa que aconteceu, agradavelmente para mim, é que ela me pediu permissão para segurar no meu braço e assim ficou até chegarmos ao nosso destino. Ah, é bom explicar que eu não entendo absolutamente nada de aviação!

As vertiginosas mudanças nas relações humanas, em tecnologia, biologia, química, medicina, crescimento demográfico, meio ambiente, política internacional, ações governamentais, estão gerando intensas pressões na desesperada tentativa de solucionar problemas até agora desconhecidos pela humanidade. Será que poderíamos dizer, por analogia, que estamos atravessando uma zona de turbulência, com o perdão da redundância, extremamente severa ? A diferença é que, ao contrário dos aviões, a sociedade não está preparada para enfrentá-la!

Neste aflitivo cenário, a ética, agonizante deusa em risco de extinção, sofre constantes atentados, permanentes discussões quanto ao seu uso e eficácia e quantas e quantas vezes, um abandono total por parte de quem, ao utilizá-la, daria um exemplo à sociedade como um todo e, principalmente, a cada ser humano, partícula individual que compõe esta mesma sociedade. Falo de governos e organizações.

Ao focarmos as organizações, as quais considero como células sociais, não podemos deixar de lado a reflexão sobre  as difíceis relações entre a ética tradicional e as novidades impostas pela civilização tecnológica. Se considerarmos o homem como o dado primário, para se construir uma ética a partir dele, estaremos nos acercando do pensamento tradicional, mas a questão fundamental neste momento é a preservação deste dado primário, o homem e o ambiente por ele habitado no mundo, preservação esta  atualmente bastante fragilizada em função da arrogância dos que se propõem a dominar a natureza mediante o uso irresponsável da tecnologia. Não podemos nos esquecer que uma empresa, qualquer que ela seja, consome recursos naturais, muitos deles não renováveis.

As organizações devem fazer da ética um legítimo e permanente tópico de discussão, não somente em momentos de crise quando os valores pessoais são desafiados e a intranquilidade é um denominador comum, mas, sim, efetivamente implementar uma consciência ética em uma escala multiabrangente que atinja todos os níveis de sua estrutura. Neste cenário serão necessários dois tipos de processos: aprendizagem, para ajudar as pessoas a raciocinarem sobre ética e desenvolvimento para ajudá-las a assumir os princípios éticos em suas ações, ou seja, em seu modo de pensar e agir.

Organizações de refinada tecnologia de funcionamento tem percepção que o grande diferencial que necessitam possuir, consiste no preparo para lidar eficazmente com o potencial humano que têm a seu dispor.

Torna-se fundamental, quando falamos de organizações, que se estabeleça a mais absoluta coerência, o mais insofismável equilíbrio, entre discurso e ação.

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José Serveto

José Serveto

Diretor da Ferrer, León Consultores em RH – São Paulo – Brasil. Administrador de Empresas pela PUCSP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Especialista em Gestão de Recursos Humanos e Consultoria Empresarial pela FGVSP – Fundação Getúlio Vargas São Paulo e MBA em Gestão Pública pela FGVSP.
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