Empreendedorismo Social: da oportunidade à Ação

O Empreendedorismo Social tem estado no centro de várias discussões académicas, empresariais, políticas, etc. Para muitos, o Empreendedorismo Social resulta da fusão entre os mecanismos de mercado e os processos inclusivos do sector social como se existissem princípios e lógicas de intervenção puramente distintivas. Todavia, as barreiras existentes entre os vários sectores (público, privado e social) são ténues. Existem organizações do sector social que são amplamente financiadas pelo sector público e/ou têm objetivos de redistribuição, outras que desenvolvem atividades lucrativas utilizando os mecanismos de mercado e os respetivos princípios de gestão. Por sua vez, as empresas fazem donativos substanciais ao sector social e existem, inclusivamente, áreas de atividade onde empresas e organizações sociais concorrem entre si.

Paralelamente, existem empreendedores que, utilizando mecanismos de mercado, estão profundamente comprometidos com os produtos e/ou serviços que produzem e/ou oferecem e que, por essa via, contribuem para a resolução de problemas sociais e para a transformação da Sociedade e outros que, criando modelos de negócio alternativos, assumem o mesmo desígnio. Pode-se, desta forma, concluir que a natureza jurídica de uma organização ou a formalização de uma iniciativa, por si só, não define a natureza do Empreendedor. Apesar de existirem diferenças significativas entre os vários tipos de formatos organizacionais, nenhum deles é invariavelmente superior aos restantes e o Empreendedorismo Social não é confinável a nenhum destes sectores e pode não resultar apenas em iniciativas híbridas que combinem elementos do Empreendedorismo Comercial e do Sector Social.

Afinal o que é o Empreendedorismo Social?

O Empreendedorismo Social está relacionado com a motivação do Empreendedor Social que inspira a sua ação, e não com a natureza jurídica ou o formato associado à iniciativa que desenvolve. Um Empreendedor Social é motivado pela criação de valor para a sociedade e não pela captura de valor para si próprio. Por outras palavras, um Empreendedor Social é motivado pelo potencial de impacto social e de transformação da sociedade e não pelo potencial de geração de lucro decorrente da atividade da sua iniciativa. Um Empreendedor Social pode e deve ter lucro na justa medida em que este tipo de apropriação permita a sustentabilidade da sua iniciativa com vista à resolução do problema que identificou e para o qual canaliza toda a sua energia, disciplina e paixão.

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A motivação de um Empreendedor Social torna-o capaz de detetar oportunidades que não são identificadas pelo tradicional Empreendedor Comercial. Assim, em vez de criar e/ou responder a necessidades de potenciais clientes, o Empreendedor social procura resolver problemas da sociedade cuja solução tenha potencial de criação de valor para a Sociedade através não só do valor criado e percepcionada pelo segmento-alvo, mas também por via da geração de externalidades positivas, isto é, efeitos muitas vezes não antecipados, que vão para lá da percepção imediata e que apesar de serem um fenómeno com valor económico não garantem apropriação.

O Empreendedor Social identifica oportunidades onde percepciona este potencial de criação de valor para a sociedade. Isto significa que é capaz de identificar problemas negligenciados – isto é, onde o mercado falha (porque, por exemplo, por não considerar as externalidades positivas) e o governo não responde (porque, por exemplo, os governantes não sentem ter o mandato para resolver problemas que afetem um segmento pouco representativo da sociedade). Estes problemas devem, igualmente, ser importantes, isto é, devem ter consequências sejam nefastas para um determinado segmento-alvo e com spillovers negativos para a sociedade.

A motivação do Empreendedor Social, assim como a oportunidade identificada, influencia o seu comportamento na construção da solução. Dessa forma, e porque o segmento-alvo pode estar condicionado por incapacidade de pagamento e/ou por não percepcionar a totalidade dos benefícios gerados pela solução (externalidades positivas), o Empreendedor Social procura reduzir os custos de produção através de inovações no modelo de negócios, envolvendo outros stakeholders (que valorizem o produto ou serviço e/ou as externalidades positivas geradas e que, por essa razão, estejam dispostos a comparticipá-lo), capacitando todos os stakeholders (por exemplo, através da capacitação do segmento-alvo e da geração de efeitos de rede), garantindo que a solução criada seja apropriada facilmente (por exemplo, disponibilizando a solução em regime de open source), escalando a solução (chegando a todo o segmento-alvo, e a outros, potenciando o efeito de spillovers) e institucionalizando a solução (fazendo com que se dissemine e se torne parte do sistema) para que o problema seja resolvido de forma sistemática e definitiva.

O IES-Social Business School como escola que tem como missão capacitar e inspirar para um mundo melhor tem contribuído ao longo dos anos para a criação de um ecossistema amigo da inovação social através de ações de capacitação e mapeamento de iniciativas com elevado potencial de impacto.

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Paralelamente, o IES-Social Business School assumir-se-á sempre como um ator capaz de promover e pronto a apoiar a construção de uma verdadeira economia de impacto onde o sector público se alia ao sector social e ao sector comercial para a transformação da sociedade. Para o efeito, disponibiliza várias soluções através das suas diferentes unidades orgânicas: (1) a Escola – formação por fase do ciclo de vida (Bootcamp em Empreendedorismo Social, Scaling for Impact e ISEP) e por competências (MIB – Managing Impact Business), assim como produção de conhecimento específico neste domínio e gestão de comunidade que garante momentos de aprendizagem informais e fora da sala de aula através de processos de acompanhamento customizadas para as iniciativas e das tribos – comunidades vibrantes de aprendizagem de base local; (2) o Laboratório de Inovação Social – mapeamento de iniciativas com elevado potencial de impacto e realização de diagnósticos locais, regionais e nacionais; (3) o Laboratório de Investimento Social – consultoria e desenvolvimento de instrumentos financeiros específicos para esta área de atividade; (4) o Laboratório de Negócios Sociais – consultoria em Empreendedorismo Social Corporativo e certificação de empresas B (comprometidas com a criação de valor para a sociedade).

Texto por: Carlos Azevedo, Director Académico do IES-Social Business School / Abril 2016

 Links úteis: http://www.ies-sbs.org / http://www.facebook.com/IES.SBS

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Carlos Azevedo

Carlos Azevedo

Docente do Ensino Superior e doutorando em Economia pela Universidade do Minho. Presidente da Direcção da ESLIDER Portugal, Director Académico e Vogal da Direcção do IES-Social Business School e Investigador Associado do INSEAD. Autor dos livros "Gestão de Organizações sem Fins Lucrativos – o desafio da Inovação Social" e "Manual de Governo – o desafio da liderança em Organizações sem Fins Lucrativos".
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