Sabe qual é o custo mensal dos seus colaboradores?

A vida das empresas é feita de altos e baixos, e quer seja em momentos de franco crescimento ou de algum abrandamento dos negócios, é muito importante saber quanto representam os recursos humanos na estrutura de custos fixos da sua empresa.

Não pretendo discutir aqui o quão são importantes os recursos humanos de uma empresa e de que forma eles contribuem decisivamente para o seu crescimento, mas apenas abordar o lado financeiro e a viabilidade do negócio. Isto porque é necessário existir um equilíbrio estável entre aquilo que paga aos seus colaboradores e aquilo que o seu negócio permite pagar.

É difícil estabelecer uma percentagem máxima de quanto devem representar, numa determinada empresa, os gastos com o pessoal, uma vez que estes valores são muito variáveis em função da atividade da empresa e, se, a mesma recorre de uma forma mais ou menos intensiva ao capital humano.

Por isso, é importante fazer estas contas aquando do recrutamento dos colaboradores, por forma a evitar despedimentos quando as coisas começarem a correr menos bem e garantir a estabilidade dos quadros de pessoal.

Assim, e para obter o custo mensal de um colaborador devem ser efetuados vários passos que serão detalhados a seguir:

Em primeiro lugar deve ser definido o salário base, o qual é sujeito às contribuições para a Segurança Social e ao seguro de acidentes de trabalho. A contribuição das empresas para a Segurança Social, chamada de Taxa Social Única (TSU) é, atualmente, de 23,75% de um total de 34,75% com a parte do trabalhador incluída (11%). Quanto ao seguro de acidentes de trabalho, é também um gasto obrigatório, e o seu valor não é fixo e não excede, normalmente, 1% do salário a pagar.

 

Todas estas rubricas são liquidadas numa base de 14 meses, dado que incluem os subsídios de férias e de Natal, sendo que para apuramento de um valor médio mensal devem ser multiplicadas por 14 e divididas por 12.

Depois disso, há que calcular o gasto com o subsídio de refeição, o qual é efetivamente pago em 11 meses (meses de trabalho efetivo) não sendo pago no mês em que o trabalhador está de férias. O seu valor diário está sujeito a limites de isenção em sede de IRS e de TSU. No caso de o pagamento ser feito em dinheiro o limite é de 4,27€ diários (a referência a pagamento em dinheiro inclui transferências/depósitos efetuadas juntamente com o vencimento). As empresas têm, no entanto, outra modalidade de pagamento do subsídio de refeição disponível, que é através de cartão refeição, um cartão pré-pago atribuído a cada trabalhador e que é carregado pela empresa, mensalmente, e cujo saldo poderá ser utilizado na generalidade dos estabelecimentos de restauração, supermercados e estabelecimentos afins. Neste caso, o limite de isenção para efeitos de IRS e TSU aumenta para os 6,83€ diários. Para fazer os cálculos temos também que considerar um valor médio de dias mensal, sendo 21 dias esse valor.

Por fim, existem outros gastos que devem ser considerados, nomeadamente os relacionados com a medicina, higiene e segurança no trabalho, assim como os gastos relacionados com a formação profissional dos trabalhadores, a qual é obrigatória por lei e deverá ser frequentada pelo trabalhador num mínimo de 35 horas por ano. Estes gastos são normalmente anuais, e devem ser mensualizados para este cálculo que pretendemos efetuar.

Para uma melhor compreensão destes cálculos, junto a este artigo um ficheiro em formato Excel, onde poderá efetuar de uma forma bastante simples estes cálculos, bastando para isso a introdução de 3 valores: o salário base mensal, o subsídio de refeição diário e os outros gastos anuais.

Espero que texto e esta ferramenta lhe sejam úteis e contribuam para uma melhor análise aos gastos da sua empresa com os recursos humanos.

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José Luzia

José Luzia

Licenciado em Contabilidade e Administração pelo ISCAP - Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto e Mestre em Contabilidade e Finanças na mesma instituição. Ao longo deste período efetuou investigação nas áreas da contabilidade e controlo de gestão. Tem 20 anos de experiência na área de gestão de empresas.

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